sexta-feira, 10 de julho de 2009

Apresentações gratuitas no Municipal


na foto o cadáver de Antonio Conselheiro


Acontecem nesta terça (14/7) e quarta (15/7), às 15h, no Teatro Municipal de São Carlos, duas apresentações gratuitas da peça "Verás que um filho teu não foge à luta", adaptação da obra "Os Sertões" de Euclides da Cunha, para teatro acessível também para crianças.
A peça tem cerca de 50 minutos de duração e direção de Lefér Guimarães que está há dez anos à frente dos trabalhos do Teatro Poronga. Estas apresentações marcam em São Carlos o centenário da morte de Euclides da Cunha, que residiu na cidade em 1901, quando estava finalizando "Os Sertões".
Estas apresentações têm o apoio da Fundação Pró-Memória e da Prefeitura Municipal.

Ficha técnica
Direção: Lefér Guimarães
Figurinos: O grupo
Cenário: Coletivo terra-a-terra
Texto: Lefér Guimarães e Dinha da Silva
Contra-regra: Andréia Tuvani
Concepção da iluminação: Andréia Tuvani

Elenco

Herbert Braz: Euclides da Cunha
David Narciso: Cantador, Sargento e Mano do Morro
Lefér Guimarães: Antônio Conselheiro
Dinha da Silva: Joana Imaginária, Jagunço, MC do Mato
Zizi Camargo: Coro, Zabé, Ana de Assis
Andrea Drittlhuber: Coro
Jorge Tonel (Barrica): Coro e Brincante
Cícera Martins: Coro
Karen Caires: Coro

Músicos

Leonardo Gomes: violão
Alexandre Leal: didgeridoo e percussão
Karen Caires: pandeiro
Luciano Matuck: bateria
Igor: percussão

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Euclides rima com rap?

Mas quem vai acreditar neste depoimento?
Dezessete de junho, o dia começa, graças a Deus, sem contratempo.
Como diria Mano Brown: “Forest Gump é mato! Prefiro uma história real. Vou contar a minha.”
Na minha história eu sei contar porque eu gosto de rap. Eu curto rap porque quando eu ouço as batidas, parece que eu tô ouvindo alguém me chamar. Tinha vez que eu andava na calçada do centrão de São Paulo e escutava como que alguém chamar meu nome... sabe o que era? Um pandeiro e dois caras de cabeça-chata fazendo desafio no meio da rua, tocando embolada e improvisando. Nossa! O baguio é loco, mesmo! Na real, eu gosto demais de artista de rua, mas muitas vezes passava reto, embalada na pressa da capital chuvosa; mas nunca teve nenhuma vez que eu tenha passado reto quando eram dois emboladores. E já vi grandes artistas pelas ruas.Teve um que fez o povo chorar quando improvisou um verso pra mim e minha mãe uma vez. Ele falou da gente ali e lembrou da mãe dele que já tinha falecido e chorou no meio do verso, vixe! Arrepia na hora e choro toda vez que lembro. O cara era artista de verdade, usava a arte pra contar histórias reais, tipo a sua.
Na minha história, eu gosto do rap porque gosto do repente, do aboio, do jogo de improvisá. Sim, gosto de rap estrangeiro também, mas não é tudo. A parada chama ritmo e poesia, portanto pra gostar, é preciso saber apreciar poesia pelo menos. Eu já fui boa aluna na escola e gosto de poesia. O rap é mágico porque faz gente que nunca foi considerado tão bom aluno assim, criar suas próprias poesias e contar histórias reais.
As histórias reais dão mais ibope. Outro dia tava lendo que uma galera tá estudando na academia essas paradas aí sobre o fascínio do povão (tô chamando de povão todo mundo que assiste essas merda, mas pode ser chamado de Zé Povinho também e pode ter qualquer classe social e qualquer origem étnica) por esses programas que contam histórias reais de crimes, ou livros de repórteres, ou Big Brother, todas essas coisas que “dão uma certeza” ao espectador: isso aí é verdade!
A verdade? Vixe! Os filósofos estudam isso aí desde muito tempo. Um dia arrisquei perguntar pra uma criança, amiga minha e muito inteligente: Ana Terra, o que é a verdade?- ela respondeu: “A verdade é segredo.”
O que é verdade e o que é mentira, qualquer criança sabe. O que acontece é que temos essas duas tendências dentro da gente diante da verdade: querer encará-la de frente. Querer muito. Ou desejar fugir dela com desespero. A arte é capaz de admitir essas nossas duas tendências humanas.
Euclides da Cunha era um cara franzino por fora, mas homem o bastante pra encarar a verdade de frente. As verdades dele eram coletivas, muito maiores que sua própria história, com sua mulher, Ana.
Pra mim é meio difícil de entender essas paradas aí de honra, de traição. Porra! Traição é uma palavra que eu não entendo. Tipo, tem os caras que são os heróis da pátria e os caras que são os traidores da pátria. Qual a diferença? Todo ser humano não deveria ser maior que qualquer pátria? Aí tem também, nos romances românticos e até nos realistas (aí está Dom Casmurro que não me deixa mentir sozinha!) aquelas histórias de traição. Capitu traiu Bentinho? Luiza traiu o marido com o almofadinha do Basílio? Pois é, Machado e Eça de Queirós sabiam o que estavam fazendo: povo adora novela. Novelas são histórias de amor, traição, morte. Aí os caras aproveitavam e nas personagens romanceadas, colocavam um monte de defeito que qualquer cara e qualquer mina na rua tem. Pronto, taí romance realista.
Mas aí vem o Euclides. Encara um massacre em Canudos. O cara é um militar. O dever de um militar é defender a pátria, a bandeira da sua terra, da sua gente. E o cara vê a sua gente pobre e faminta e fanática cair lutando.
Porra, não era um militar também o cara que ordenou o massacre no Carandiru? Não eram militares os que mataram na Candelária, em Carajás, nas favelas do Rio, de São Paulo... -Vixe, desfiar o rosário de massacres é foda!- Mas no entender de Euclides, esses caras não são militares. No entender de Euclides, o dever de todo professor, todo militar, todo rapper, todo poeta, todo escritor, todo repentista, todo beato, todo ator... é contar uma história real. A sua, a de sua gente.
Que pena, Euclides! Que pena Mano Brown! Que pena, Patativa! As nossas histórias e da nossa gente são cheias de sofrimento e morte.
Na minha história eu sei contar porque eu gosto de poesia. Poesia é aquele jeito encantado de falar da dor. A dor mais funda do ser humano, sobe na voz do poeta e desprende. Clara e salgada, cabe em um olho e pesa uma tonelada.
Quem vai acreditar no seu depoimento, Euclides?
Quem vai acreditar no meu?
O Rap do Cavalo Alado de Euclides da Cunha sobre o Morro da Favela é só minha homenagem humilde aos poetas do povo.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

O Teatro é a primeira invenção Humana


Um passarinho canta, mas não entende nada de música. Cantar é parte de sua atividade animal – inclui comer, beber, copular – e por isso não varia nunca: o rouxinol não experimentará jamais cantar como cotovia, nem uma juriti como pomba-rola. Mas o ser humano é capaz de cantar e ver-se cantando. Por issno pode imitar os animais, pode descobrir variantes do seu cantar, pode compor. Os passarinhos não são compositores, não são se quer interpretes. Canta como comem, como bebem, como copulam. Só o ser humano triadiza (EU QUE OBSERVO, EU EM SITUAÇÃO E O NÃO-Eu) por que só ele é capaz de se dicotomizar (ver-se vendo). E como se coloca dentro e fora da situação, em ato ali e, aqui, em potencia, necessita simbolizar essa essa distancia que separa o espaço e que divide o tempo, a distancia que vai do ser ao poder e do presente ao futuro – necessita simbolizar a potencia, criar símbolos que ocupupem o mesmo espaço daquilo que é, mas não existe, que é possível e poderá vir a existir. Cria, pois, linguagens simbólicas: a pintura, a música, a palavra... Os animais tem acesso apenas à linguagem sinalética (sinais feitos de gritos, sussurros, feitos de caras, trejeitos).

O ser torna-se humano quando inventa o teatro.

No inicio, Ator e Espectador coexistiam na mesma pessoa; quando se separaram, quando algumas pessoas se especializaram em atores e outras em expectadores, aí nascem as formas teatrais tais como as conhecemos hoje. Nascem também os teatros, arquiteturas destinadas a sacralizar essa divisão, essa especialização. Nasce a profissão do ator.

A profissão tetatral, que pertence a poucos, não deve jamais esconder a existência e permanência da vocação teatral, que pertence a todos. O teatro é uma atividade vocacional de todos os seres humanos.

Augusto Boal em "O arco-íris do desejo"

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Conatus - Tente outra vez (parte I)


Projeto realizado por Lefér Guimarães na UNB, com base no filósofo Spinosa.

Conatus - Tente outra vez (parte II)

domingo, 26 de abril de 2009

Gincana euclidiana no Centro da Juventude


Trecho de filmagem realizada em 2008 no Centro da Juventude de São Carlos, com adolescentes participantes de projetos da prefeitura municipal, convidados para a Gincana Euclidiana promovida pelo Teatro Poronga e a Fundação Pró- Memória.

Dia Internacional do Teatro em São Carlos

sábado, 25 de abril de 2009

Entrevista com Herbert Braz

Herbert Braz improvisa


O ator são carlense Herbert Braz participa da primeira ação do projeto Jogo de Cena na Sala Ione Takehara.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

"Teatro Mosaico" SESC- São Carlos /"As Bacantes" - SESC-Araraquara



Imagens captadas e editadas por Joair Brazil. Teatro Poronga 2009.

sábado, 4 de abril de 2009

Dia Mundial do Teatro e Jogo de Cena 1



O Dia Mundial do teatro em São Carlos teve uma semana recheada de programações interessantes.

O SESC São Carlos junto com o ICACESP, Instituto Coltural de Artes Cênicas do Estado de São Paulo promoveu a Semana de Artes Cênicas que contou com participações da velha e da jovem guarda das artes cênicas da cidade e região e um grupo de Santos em espetáculos de rua e nas dependências do SESC culminando com o lançamento do livro "O Teatro Amador no Contexto Cultural de São Carlos" de Névio Dias, importante agitador cultural da cidade.
Além disso, a prefeitura municipal promoveu mais uma edição do projeto Tenda Móvel de Teatro, que leva programação teatral da cidade e da capital para bairros afastados do centro.

O Teatro Poronga também participou deste movimento, registrando em vídeo trechos das apresentações "Mosaico Teatral" dirigida por Dagoberto Rebucci no SESC São Carlos e "As Bacantes" do Teatro Oficina realizada no SESC Araraquara.
Além disso, o Poronga promoveu na Sala Ione Takehara, a primeira edição do Jogo de Cena, um projeto itinerante de teatro e vídeo que propõe a participação de artistas da cidade de São Carlos em intervenções interativas de teatro.

Participaram nesta edição do Jogo de Cena:
Lefér Guimarães - concepção, direção e atuando
David Narciso - atuando
Joair Brazil - gravação e edição de vídeo, seleção de imagens e textos e atuando
Além disto, estiveram presentes nas filmagens o ator sancarlense Herbert Braz,o professor Ben Hur e Ana Paula, o engenheiro José Potti. Os presentes participaram do Jogo de Cena com depoimentos que foram filmados. A ONG Ramudá participou como parceira do evento cedendo espaço da Sala Ione Takehara.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Entrevista na Rádio Ufscar



Entrevista documentada por Joair Brazil na Rádio Ufscar, no programa "Paracatuzum!" de Hélvio Tamoio.

Começando a comemorar o aniversário de 10 anos



Trecho de filmagem em dezembro de 2008, para edição de vídeo documentário sobre os 10 anos do grupo, com a presença de Lefér, diretor do grupo, Roberto Romano da Silva, ator que participou das montagens "O ABC de Chico Mendes", "O Curupira Contra o Dragão da Motosserra", "Pandemia", "Caasíadas", "Ato Médico", entre outras, e Dinha, atriz participante da montagem de "Verás que um filho teu não foge à luta", entre outras.

terça-feira, 10 de março de 2009

Calendário 2009 - Semestre I

Poronga: dez anos em 2009, em cor, em graça, em vida, em força, em luz (já dizia o verso de uma canção bonita!)
Os projetos não param! Estamos buscando parceiros, patrocinadores e apoiadores para alguns deles.

Março

Projeto: Jogo de Cena,“Let´s play that”
Descrição: Trata-se de uma série de ações teatrais revisitando grandes autores, usando também a linguagem do vídeo. Este projeto desdobra-se em 3 edições ao longo do ano.


Jogo de Cena 1 - “Villa, o coração do Brasil”

Ação teatral em homenagem aos 50 anos da morte de Villa Lobos.
Com textos de Nelson Rodrigues, Oswald de Andrade e do próprio Villa Lobos.
Quando: 27 de março
O que buscamos: Local de apresentações, custos de produção, edição e exibição de vídeo.
Em andamento
Local a confirmar

Abril

Projeto: Semana Nacional da Voz “Seja amigo da sua voz”

Descrição: Conferência com Maria Lucia Dragonni (a confirmar)
Uma conversa sobre os cuidados para a saúde da voz dirigida ao público em geral, especialmente pessoas que tem a voz como instrumento de trabalho.
Seqüência do trabalho realizado em 2006 durante a montagem da “Alma que tirou o Corpo Fora”, com o Teatro Poronga e alunos da USP.
O que buscamos: Local para a conferência, divulgação, estadia, transporte e demais custos da conferencista
Em andamento
Data(s) e local(is) a confirmar - Semana Nacional da Voz de 16 a 23 de abril

Projeto: Vídeo - “Rap do Cavalo Alado de Euclides da Cunha sobre o Morro da Favela”
Descrição: Lançamento de vídeo a partir do rap que compõe a montagem infanto –juvenil: “Verás que um filho teu não foge à luta" como parte da celebração municipal dos centenário da morte de Euclides da Cunha.
O que buscamos: Parceria com Movimento Hip Hop da cidade de São Carlos, cobrir custos da produção e lançamento do vídeo
Em andamento
Data e local a confirmar

Maio

Projeto: Jogo de Cena, “Let´s play that”
Descrição: Seqüência do projeto em seu segundo desdobramento

Jogo de Cena 2 - "Bertolt Brecht, sujeito-homem"
Grupo de estudos e leituras de uma parte pouco conhecida da obra do dramaturgo alemão, seus poemas e canções
O que buscamos: Local para reuniões, divulgação, parceria com entidades e/ou movimentos sociais, estudantis, patrocínio e/ou trocas materiais e imateriais
Data: Previsão para Maio
Local a confirmar

Projeto: “Voz de uma pessoa vitoriosa”
Descrição: Performance
Homenagem ao poeta Wally Salomão nos seis anos de sua morte. Exibição de vídeo e performance com base nos livros “Qualé o Parangolé?”e “Me segura que eu vô dá um troço!”
O que buscamos: divulgação, custos de produção
Data: 5 de maio
Local(is) a confirmar

Junho

Projeto: "Euclides e a Amazônia"
Descrição: Tertúlia e grupo de estudos na Semana do Meio Ambiente.Formação de grupo de estudos e leituras de textos dos livros de Euclides: “À margem da história”, “Peru X Bolívia” e “Paraíso Perdido”
O que buscamos: parceiros e interessados
Datas a confirmar
Local a confirmar

segunda-feira, 9 de março de 2009

No centenário da morte de Euclides da Cunha, jornal o Estado de São Paulo, onde Euclides trabalhou como repórter, refaz o trajeto amazônico do escritor de Cantagalo.
Veja matéria completa em:
A coragem de desvendar o Brasil.